domingo, 20 de março de 2011

HEINRICH HEINE- POETA ALEMÃO


1797: Nasce o poeta alemão Heinrich Heine do século 19. Ele tornou-se célebre pela afirmação profética "Onde livros são queimados, seres humanos estão destinados a serem queimados também".

Heine abraçou as causas mais candentes de seu tempo, em particular o combate ao racismo.

"Ich hätte mir als lyrischer Dichter Ruhm erwerben können...und Deutschland hätte mich geliebt, als satirischer hätte es mich gefürchtet, als Polemiker hätte es auf mich gehört und mich gehasst! Nun bin ich aber, Gott sei’s geklagt, so ziemlich Alles gewesen, und Niemand weiss mich zu classifizieren".

"Eu poderia ter conquistado fama como poeta lírico...e a Alemanha teria me amado; como sátiro, teria me temido; como polêmico teria me ouvido com atenção e me odiado! Mas, seja por culpa de Deus, eu me transformei em um pouco de cada coisa, e ninguém sabe como me classificar"

Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner e, já no século XX, por Hans Werner Henze e Lord Berners.

Um poema de Heine

Vem, linda peixeirinha,
Trégua aos anzóis e aos remos.
Senta-te aqui comigo,
Mãos dadas conversemos.

Inclina a cabecinha
E não temas assim:
Não te fias do oceano?
Pois fia-te de mim.

Minh’alma, como o oceano,
Tem tufões, correntezas,
E muitas lindas pérolas
Jazem nas profundezas.

Heinrich Heine
(tradução de Manuel Bandeira)


"An Edom!" / "A Edom!": tradução de André Vallias


A Edom!*

Há dois milênios já perdura
A convivência tão fraterna –
Quando eu respiro, tu me aturas,
Se te enraiveces, eu tolero.

Algumas vezes, convenhamos,
Cruzaste as raias do mau gosto,
As santas unhas mergulhando
Na tinta rubra do meu corpo!

Nossa amizade agora cresce
A cada dia e nunca para;
Virei alguém que se enraivece,
Estou ficando a tua cara.



An Edom!*

Ein Jahrtausend schon und länger,
Dulden wir uns brüderlich,
Du, du duldest, daß ich atme,
Dass du rasest, dulde Ich.

Manchmal nur, in dunkeln Zeiten,
Ward dir wunderlich zu Mut,
Und die liebefrommen Tätzchen
Färbtest du mit meinem Blut!

Jetzt wird unsre Freundschaft fester,
Und noch täglich nimmt sie zu;
Denn ich selbst begann zu rasen,
Und ich werde fast wie Du.

[1824]


Que mundo grosso

Que mundo grosso, gente avara,
– E mais e mais sem mais sabor!
Diz de você... o quê, amor?
Que não tem vergonha na cara.

Mundinho avaro, mundo cego,
Sempre disposto a julgar mal.
Seu beijo doce é meu apego,
Sem falar na ardência final.